quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sobre a ordenação de mulheres

"As mulheres têm motivos para estar zangadas com a Igreja, que as discrimina. Jesus, porém, não só não as discriminou como foi um autêntico revolucionário na sua dignificação, até ao escândalo", escreve Anselmo Borges, teólogo e fílósofo, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em artigo publicado no jornal Diário de Notícias, 16-07-2011.

Eis o artigo.

Nas últimas duas semanas, a ordenação de mulheres alcançou grande relevo nos media. Por causa de declarações inesperadas do cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo. Numa entrevista publicada no Boletim da Ordem dos Advogados declarara que "teologicamente não há nenhum obstáculo fundamental" à ordenação de mulheres. A recusa está baseada apenas na tradição.

A declaração teve eco em importantes órgãos de informação estrangeiros. Tanto mais quanto aparecia pouco tempo depois de um bispo australiano ter sido demitido devido à mesma abordagem do tema, e o vaticanista Andrea Tornelli fez notar que a declaração ia contra a doutrina afirmada por João Paulo II e Bento XVI.

Como seria de prever, choveram os protestos, provindos, segundo se diz, sobretudo do Opus Dei e do próprio Vaticano. As reacções, algumas de "indignação", obrigaram o patriarca a um esclarecimento, recuando. Nele, confessa a necessidade de "olhar para o tema com mais cuidado", acrescentando: "Verifiquei que, sobretudo por não ter tido na devida conta as últimas declarações do Magistério sobre o tema, dei azo a essas reacções." E reproduz a carta Ordinatio Sacerdotalis, de João Paulo II: "Declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja."

Quando se pensa, vê-se aqui a tipificação do que é na Igreja o respeito pelo direito de opinião e expressão. Depois, não se atende à vontade de tantos bispos a quem não só não repugnaria como até gostariam de ordenar mulheres. Ficou famosa a afirmação de D. Eurico Nogueira, então arcebispo de Braga: "Gostava de ver uma mulher no meu lugar."

As mulheres têm motivos para estar zangadas com a Igreja, que as discrimina. Jesus, porém, não só não as discriminou como foi um autêntico revolucionário na sua dignificação, até ao escândalo: veja-se a estranheza dos discípulos ao encontrar Jesus com a samaritana, que tudo tinha contra si: mulher, estrangeira, herética, com o sexto marido. Condenou a desigualdade de tratamento de homens e mulheres quanto ao divórcio. Fez-se acompanhar - coisa inédita na época - por discípulos e discípulas. Acabou com o tabu da impureza ritual. Estabeleceu relações de verdadeira amizade com algumas. Maria Madalena constitui um caso especial nesta amizade: ela acompanhou-o desde o início até à morte e foi ela que primeiro teve a intuição e convicção de fé de que Jesus crucificado não fora entregue à morte, pois é o Vivente em Deus.

Santo Agostinho, apesar da sua misogenia, declarou-a apóstola dos apóstolos, devido ao seu papel fundamental na convocação dos outros discípulos para a fé na Ressurreição. Aliás, já São Paulo na Carta ao Romanos pede que saúdem Júnia, "apóstola exímia".

Evidentemente, os opositores vêm sempre com aquela dos Doze Apóstolos, entre os quais não consta nenhuma mulher. Esquecem que na instituição dos Doze se trata de uma acção simbólica, para indicar que começava o novo povo de Deus. Como as mulheres e as crianças na altura não contavam, o símbolo perderia a sua eficácia, se se falasse também de mulheres entre os Doze.

E também se diz que na Última Ceia não houve mulheres. Ora, esta afirmação é contestada por grandes exegetas. Depois, o famoso biblista Herbert Haag, da Universidade de Tübingen, com quem tive o privilégio de privar, ironizou: como eram só judeus os presentes, então a Igreja só devia ordenar homens judeus.

Sobretudo: é sabido que as primeiras comunidades cristãs se reuniam na casa de cristãos mais abastados, e quem presidia era o dono ou a dona da casa. Então, se já foi possível mulheres presidirem à Eucaristia...

A questão tem, pois, de ser revista. Para não ferir este princípio fundamental do Concílio Vaticano II: "Toda a forma de discriminação nos direitos fundamentais da pessoa por razão de sexo deve ser vencida e eliminada, por ser contrária ao plano divino."

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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Apelo à desobediência. Manifesto de párocos austríacos

Publicamos aqui o Apelo à Desobediência da Iniciativa dos Párocos Austríacos. O texto foi publicado na página da iniciativa, www.pfarrer-initiative.at, 19-06-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

A recusa de Roma a uma reforma da Igreja há muito esperada e a inatividade dos nossos bispos não só nos permitem, mas também nos obrigam a seguir a nossa consciência e a agir de forma independente.

Nós, padres, queremos estabelecer, no futuro, os seguintes sinais:

1. Rezaremos, no futuro, em todas as Missas, uma oração pela reforma da Igreja. Levaremos a sério a palavra da Bíblia: pedi e receberei. Diante de Deus, existe a liberdade de expressão.

2. Não recusaremos, em princípio, a Eucaristia aos fiéis de boa vontade. Isso é especialmente verdadeiro aos divorciados de segunda união, aos membros de outras Igrejas cristãs e, em alguns casos, também aos católicos que abandonaram a Igreja.

3. Evitaremos celebrar, se possível, nos domingos e dias de festa, mais de uma Missa ou de encarregar padres em viagem ou não residentes. É melhor uma liturgia da Palavra organizada localmente do que turnês litúrgicas.

4. No futuro, vamos considerar uma liturgia da Palavra com distribuição da comunhão como uma "Eucaristia sem padre", e assim nós a chamaremos. Dessa forma, cumpriremos a nossa obrigação dominical em tempos de escassez de padres.

5. Rejeitaremos também a proibição da pregar estabelecida para leigos competentes e qualificados e para professoras de religião. Especialmente em tempos difíceis, é necessário anunciar a Palavra de Deus.

6. Comprometer-nos-emos a que cada paróquia tenha o seu próprio superior: homem ou mulher, casado ou solteiro, de tempo integral ou parcial. Isso, no entanto, não por meio das fusões de paróquias, mas sim mediante um novo modelo de padre.

7. Por isso, vamos aproveitar todas as oportunidades para nos manifestar publicamente em favor da ordenação de mulheres e e de pessoas casadas. Vemo-los como colegas, e colegas bem-vindos, ao serviço pastoral.

Além disso, sentimo-nos solidários com aqueles colegas que, por causa do seu casamento, não podem mais exercer as suas funções, mas também com aqueles que, apesar de um relacionamento, continuam prestando seu serviço como padres.

Ambos os grupos, com sua decisão, seguem a sua consciência – como nós fazemos com o nosso protesto. Nós os vemos, assim como o papa e os bispos, como "nossos irmãos". Não sabemos o que mais deve ser um "coirmão". Um é o nosso Mestre – mas somos todos irmãos. "E irmãs" – se deveria dizer, no entanto, entre os cristãs e cristãos.

É por isso que queremos nos levantar, é isso que queremos que aconteça, é por isso que queremos rezar. Amém.

Domingo da Trindade, 19 de junho de 2011

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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Família Arnaldina prepara os trabalhos para o segundo semestre


Por Cláudia Pereira

O Grupo da Família Arnaldina participou de reunião ampliada com reflexão Bíblica no dia 18 de Junho no Seminário do Verbo Divino. O grupo após discutir a pauta dos seus trabalhos missionários, refletiu com Heloisa Carvalho o Prólogo de São João. Utilizando a metodologia participativa Heloisa ajudou o grupo a refletir os cenários sociais, políticos e históricos da sociedade cristã da época de São João, contrastando com a realidade social atual.
O grupo tomou como mensagem de São João, que o mais importante, é sermos cristãos católicos onde a igreja, mostra o amor fraterno. E com essa mensagem o grupo é inspirado para a programação do segundo semestre do projeto Juquiá.
A programação começará com estudo bíblico para o mês de Julho abordando o livro do Êxodo, curso de fotografia para o mês de Agosto, preparação para o Grito dos Excluídos em Setembro, mês e campanha missionária para outubro, liturgia e catequese em novembro. Com a agenda cheia para o próximo semestre a Família Arnaldina recebeu com alegria a proposta do Pe. Fabio para continuar os trabalhos em 2012.




segunda-feira, 4 de julho de 2011

Padres da Áustria defendem ordenações femininas e realizam manifestos



Um ano atrás, uma notícia proveniente da Áustria, a terra do cardeal arcebispo de Viena, Christoph Schönborn, discípulo e amigo do Papa Bento XVI, provocou muito rumor: não era simplesmente uma minoria que exigia que os padres pudessem se casar e ter uma família, ou que pessoas casadas pudessem se tornar padres. Cerca de 80% dos párocos do país se declararam favoráveis à abolição do celibato eclesiástico.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal Il Foglio, 03-07-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Um ano depois, a notícia é ainda mais perturbadora e está provocando muita preocupação à Cúria Romana. Helmut Schüller, o porta-voz do movimento "Iniciativa dos Párocos", declarou que, na Áustria, mais de 250 padres assinaram um abaixo-assinado no qual exigem que as mulheres possam ter acesso ao sacerdócio.

Juntos, os párocos quiseram desafiar abertamente o Vaticano em uma área delicada, ou seja, a comunhão aos divorciados. Helmut Schüller, porta-voz do movimento, disse que o Vaticano "não pode impor suas próprias convicções aos padres austríacos".

Uma parte do clero austríaco sofre há muito tempo para se conceber como alinhado com Roma. A pesquisa, cujos resultados foram publicados há um ano, afirma que 52% dos párocos entrevistados admitiram ter ideias diferentes das da Igreja oficial sobre importantes questões de fé e de pastoral.

Além de serem favoráveis à abolição do celibato e à abertura do sacerdócio às mulheres, 64% afirmaram que a Igreja deveria se abrir mais ao mundo moderno. Um outro ponto se refere à formação dos padres: 92% dos párocos pesquisados, portanto, quase a totalidade, expressaram a opinião de que a educação das novas levas do seminário deveria dar maior peso à sua formação humana.

"É como se os párocos estivessem descontentes com a nova geração de padres", comentou Gerhard Klein, diretor dos serviços religiosos da TV austríaca Orf. E acrescentou depois: "A cúpula da Igreja deve agir rapidamente, porque a maioria dos párocos pede reformas".

Há dois anos, os bispos austríacos foram convocados diretamente ao Vaticano por Bento XVI. A convocação foi desencadeada por acontecimentos que colocaram a Igreja da Áustria em grande agitação, começando com o episódio do bispo auxiliar de Linz, Gerhard Wagner, nomeado pelo papa segundo os procedimentos regulares da Congregação para os Bispos. Wagner, de estilo tradicionalista, devia apoiar o bispo titular da diocese, que tinha grandes problemas de governo. Uma campanha de imprensa, e principalmente a reação de alguns coirmãos do episcopado, levou Wagner a se demitir antes da consagração.

Mas as preocupações do papa foram motivadas também por outros episódios que ainda hoje parecem não ter encontrado a sua conclusão: na Áustria, alguns padres conhecidos e com papeis importantes (também na mesma diocese de Linz) admitiram viver há anos com uma companheira.

Não é um bom momento para a Igreja austríaca. Todos os anos, há milhares fiéis que se afastam. Estima-se que, desde 1976 até hoje, mais de 1,3 milhões de fiéis abandonaram a prática religiosa. A ruptura que a Igreja sofre é a existente entre tradicionalistas e progressistas.

De um lado, existem grupos de tradicionalistas ligados às alas mais extremas do conservadorismo. De outro, grupos de católicos liberais que, na esteira do movimento Nós somos Igreja, pedem que a hierarquia estimule as reformas sempre mais, sob pena do abandono em massa da Igreja.

A recente denúncia feita contra Schönborn por ter escondido, em 1994, dois casos de abuso sexual por parte de religiosos da sua diocese aumentou ainda mais os problemas de uma Igreja gloriosa no passado.

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quarta-feira, 29 de junho de 2011

‘Católico e homossexual, quero viver a minha fé e a minha diferença’

Oi Família Arnaldina e aqueles que se encontram na encruzilhada entre querer ser conhecido como tal e optar em ser desconhecido por medo de rejeição. Eis alguma entrevista que merece ser lida. Enquanto a sociedade está debatendo questões referentes à homosexualidade ou homofobia, que tal a gente opinar um pouco!


Para viver bem e verdadeiramente em andamento, Jean-Michel Dunand escolheu escrever e contar o seu itinerário, que resultou no livro De la honte à la lumière. (Presses de la Renaissance). Atualmente, animador de pastoral em um grande liceu católico de Montpellier, passou “da vergonha à luz”...

A entrevista é de Elisabeth Marshall e está publicada no sítio da revista francesa La Vie, 31-05-2011. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Desde muito cedo você sentiu que não era “semelhante aos outros”. Quando e como você descobriu sua homossexualidade?

Desde quando possa me lembrar eu era sensível ao corpo dos homens. Quando eu tinha seis anos, indo com meus pais para a festa popular, eu descobri que a beleza dos corpos masculinos me fascinava. Eu realmente não entendia e pensava que era o único no mundo a fazer esta experiência. Na minha pequena cidade de Albertville, na Sabóia, eu não tinha nenhum modelo homossexual com quem me identificar. Em almoços de família, às vezes se fazia menção a um primo, com mais de dez anos, exilado em outra cidade e que, segundo eles, tinha “costumes estranhos”, mas eu não sabia que ele e eu compartilhávamos talvez a mesma experiência.

Não se escolhe, você escreve, ser homossexual, assim como não se escolhe ser heterossexual. Isso não está no domínio da liberdade?

Levei um tempo para perceber que eu não tinha feito uma escolha, que eu não podia mudar. Minha homossexualidade se impôs a mim da mesma maneira que a minha estatura ou o meu porte físico. Eu nunca fui afeminado, refinado, mas quando eu jogava, era natural que eu exibisse os trejeitos de uma garota. Atraído pela vida religiosa, eu me imaginava como carmelita seguindo os passos de Teresa. Eu pensava: "Se fosse uma mulher, entraria na ordem." Não estou dizendo que a homossexualidade é inata, mas que ela se inscreve na singularidade de uma história. No entanto, nas mentes e nas igrejas, ainda perdura a ideia de que se pode mudar, de que é uma questão de vontade... Mas quem se exporia voluntariamente à diferença?

É com a escola, como adolescente, que o olhar dos outros começou a pesar.

Eu não disse nada, mas os outros meninos perceberam porque eu não gostava de esportes, futebol, jogos violentos. Eu sempre escondi, com medo de ser descoberto. Mais tarde, muitas vezes pensei que, se nos reconhecemos entre homossexuais é porque podemos ler no olhar do outro esta fadiga de perpetuamente ter que esconder quem se é. E depois houve aquele dia, na quinta, quando cheguei atrasado, eu tive que passar diante de toda a fila e enfrentar os insultos, “bicha”, “marica”... Eu fiz a experiência da vergonha, aquela que joga você vivo em um túmulo.

E depois, outro apelo, o da vida religiosa...

Sim, aos 8-9 anos, eu fui como que tomado por Cristo, eu chorei na Paixão de Jesus, lendo uma vida de santo oferecida por uma catequista. Mais tarde, aos 14 anos, sozinho na Abadia de Tamié, eu experimentei uma presença de amor, uma profunda paz. Eu guardei secretamente este encontro no meu coração e, ao mesmo tempo, eu me construí um personagem, aquele do perfeito cristão, futuro sacerdote que servia a missa, tinha a confiança do padre e ostentava uma grande cruz de madeira bem visível. Era mais fácil ser o aprendiz de santo do que o pequeno homem. Eu preferia que rissem da minha fé do que da minha homossexualidade. Eu levantei, com a religião, uma muralha ao redor de mim para me proteger do olhar dos outros e, principalmente, de mim mesmo, das minhas próprias divagações...

Estas são as páginas mais terríveis de seu livro. Você conta como, aos 14 anos, em Lourdes, você aceita as carícias de um estranho. A sexualidade sem o amor, você diz...

Naquele dia, o chão se abriu sob os meus pés. Senti-me indecente, mas também descobri que fui atraído. Entre 18 e 25 anos, eu vivi um verdadeiro aquartelamento, uma vida dupla, eu era o Dr. Jekyll e o Sr. Hyde. De um lado, no convento das carmelitas, nos grupos de oração e de evangelização, depois no seminário durante alguns anos, eu me apresentei como um modelo de fé, vestido de branco com um manto preto, sandálias nos pés... Do outro, eu me encontrei com homens às escondidas. Recusei-me a me instalar em qualquer relacionamento. Eu pensei que era menos grave, que era a minha única fragilidade e que à base de oração, de confissão, de vida sacramental, eu sairia dessa situação. As poucas vezes que eu me confessei, me falaram de “desvio”. Que me curaria pela oração de libertação. Nesse período, só Cristo não me abandonou.

O que você queria ouvir neste momento?

Olhando para trás, aos 46 anos, eu gostaria de ter sido compreendido em profundidade. Que me levasse de volta à realidade para não mais fugir, mas descobrir a minha humanidade mais profunda, minha afetividade, minha sexualidade, em vez de enterrar tudo sob uma pseudo-espiritualidade. Após ter ouvido muito, constato que não é incomum que as pessoas homossexuais comecem suas relações em ambientes sórdidos. Talvez porque seja proibido viver o amor e a ternura à luz do dia.

O que ajudou você?

Tentaram me curar, me exorcizar de qualquer maneira, queriam me internar para fazer uma sessão de regressão. Eu estava ficando cada vez pior, pensei em suicídio. E eu disse para mim mesmo "basta!". Foi a amizade que me ajudou. A de Patrick, um amigo que me abriu um outro caminho. Comecei a trabalhar como agente de um hospital que me permitiu retomar uma vida normal, uma apreciação adequada de mim mesmo e viver mais verdadeiramente a minha homossexualidade. Eu também encontrei o amor e agora vivo uma relação estável que já dura 20 anos. Finalmente, as pessoas confiam em mim. Sou animador de pastoral em uma escola católica há quase 16 anos graças à confiança que tive, com todo o conhecimento de causa, de um diretor de escola.

O que você está pedindo à Igreja hoje?

Eu não reivindico nada, exceto o direito de viver sem ser amputado de uma parte perdida de mim mesmo. Como católico, eu quero poder viver a minha fé e o desenvolvimento da minha sexualidade e da minha ternura partilhadas com alguém do mesmo sexo. Eu não sou um ativista que lança a bandeira da causa gay. Mas eu não posso aderir a estas certezas segundo as quais "a homossexualidade é contra a natureza e fora do plano de Deus". Isto leva a um impasse. Se eu reivindico algo é uma mudança e uma humildade do olhar. Com as pessoas “homossensíveis” – prefiro falar assim, pois não nos reduz à sexualidade – estamos muitas vezes diante de percursos fraturados, de vidas acidentadas. Mas também de verdadeiras sensibilidades em relação à beleza, à arte, à espiritualidade. Veja o número de homossexuais entre os grandes artistas, designers de moda... Estes são, em todos os casos, vidas singulares que não se pode julgar sem conhecer, nem vasculhar sua intimidade. Diante da mulher adúltera do Evangelho, o que Jesus faz? Ele não a questiona, mas afasta os olhos, inclinando-se ao chão para escrever; ele afasta também os acusadores, pois todos vão se retirando na medida em que ele os faz perceber seu próprio pecado. Não encerremos as pessoas em nossas normas e em nossos olhares inflexíveis.

Você criou, em 2000, em conjunto com mosteiros, a Comunhão Betânia, a serviço de pessoas homossensíveis e transgêneros.

Sim, é uma comunhão contemplativa. Nós nos encontramos duas vezes por ano para um retiro num mosteiro, às vezes na Abadia de Tamié. Mas nós estamos, diariamente, em união de oração através de um pequeno ofício composto de salmos, das bem-aventuranças e de uma oração de intercessão, como uma ponte entre nós. Além do círculo de amigos engajados, há amigos que rezam todas as quintas-feiras em nossa intenção, pais de filhos homossexuais, contemplativos como o carmelo de Mazille, inclusive bispos que se juntam a nós nesta fraternidade espiritual. Nosso objetivo é mudar os olhares, propor também gestos simbólicos como, por exemplo, durante eventos do orgulho gay, propondo uma oração nas igrejas para erguer espiritualmente o caminho das pessoas homossensíveis. Eu acredito que a evolução dos cristãos em relação aos homossexuais se fará pela oração. A militância assusta, os monges não! Ao convidar para a oração, nós convidamos pacificamente a acolher este olhar de Cristo que desloca. A Igreja precisa, em relação a essa questão, de uma cura de silêncio. Eu não peço que reconheça a homossexualidade no mesmo nível da heterossexualidade, mas que olhe as pessoas e proporcione instâncias de encontro e de escuta.

Que mensagem gostaria de deixar aos cristãos?

Antes de arriscar uma palavra, ter tempo para ouvir as pessoas homossexuais. Antes de discutir sobre ideias, conhecer vidas. Foi poder falar e ser ouvido que, pessoalmente, me salvou. No meu trabalho eu sou discreto sobre a minha vida pessoal, mas eu sei que eu tenho a confiança do meu bispo, do meu diretor diocesano, do meu diretor da escola, eu sou franco com eles. Foi Freud quem disse: “Quando alguém fala, é dia!” É talvez justamente por que faça dia que eu escrevi e publiquei este livro.

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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Ata da Reunião Ampliada da Família Arnaldina

DATA: 18/06/2011

HORÁRIO: 17:00 h

LOCAL: Seminário do Espírito Santo

PARTICIPANTES: dez conforme lista de presença

ABERTURA:

Luiz Carlos Catapan fez a abertura do encontro comentando as ausências justificadas, mas que o importante era que o grupo está reunido e levando as atividades adiante.

INFORMES:

- Como divulgar mais a Família Arnaldina: Catapan encarregou-se de entrar em contato por telefone, incentivando a participação nos próximos encontros. Também continuaremos em enviar emails constantes, artigo no Intercâmbio, artigos e notícias no Blog da Família Arnaldina, etc.

- Foi pensada a possibilidade de realizarmos o próximo encontro numa comunidade em Juquiá. Ficou entendido que precisamos planejar melhor para organizarmos um evento desta natureza. Assim, o próximo encontro do dia 17/09/2011, será mesmo no Seminário e já convidamos Pe. Edson Castro que tratará o tema sobre leigos do documento “Pistas para Ação Missionária dos Missionários do Verbo Divino”.

- Catapan falou sobre uma semestralidade de R$ 50,00 para custear despesas da Família Arnaldina e não dependermos exclusivamente de ajudas externa. Vamos colocar em prática oportunamente.

- Comentamos sobre a proposta do Pe. Fábio de continuarmos com a nossa presença, em 2012, na Paróquia de Juquiá. Achamos uma ótima idéia.

TEMA DO ENCONTRO:

“RELFEXÃO SOBRE PRÓLOGO DE SÃO JOÃO”

Assessoria de Heloisa Carvalho;

Ela, utilizando uma metodologia participativa, pincelou o cenário sob vários aspectos da época (social, político, histórico, etc) para melhor compreensão e fez o grupo mergulhar na sociedade cristã da época. A partir disso, discorreu o texto de São João, dizendo que o “prólogo” tem uma cara de “epílogo” já que é um resumo da mensagem de São João. Fez nos compreender que não importa a teologia, ideologia, tradição, etc., da Igreja de hoje. O importante é sermos cristãos/católicos onde a Igreja mostra cara do amor fraterno.

Agradecemos a Heloisa por ter proporcionado esse momento de reflexão e aprofundamento tão valioso.

ENCAMINHAMENTOS:

- Próxima Reunião ampliada dia 17/09/2011 às 17:00 hs no seminário.

- Próxima reunião da coordenação 08/07/2011 às 9.30 h no seminário.

- Programação para 2º. Semestre Projeto Juquiá

  • Julho 2 e 3 – Tema “Êxodo” com Catapan e Ricardo
  • Julho 30 e 31 – Avaliação do 1º. Semestre, preparar uma dinâmica para apreciação do Pe. Fábio e Pe. Antonio.
  • Agosto – 2ª. Etapa do Curso de Fotografia, data a ser definida, com Mirandinha, Cláudia e Walter.
  • Setembro 3 e 4 – Tema “preparação Grito dos Excluídos e Encontros Bíblicos nas comunidades” com Irani e Nelson. Consultar Pe. Fábio se podemos utilizar um espaço para fazermos a preparação do mês de outubro Missionário e Campanha Missionária com material da Verbo Filmes.
  • Outubro 1 e 2 – Tema “Mês Missionário e Campanha Missionária” com Ricardo com material da Verbo Filmes.
  • Novembro 5 e 6 – Tema “Liturgia / Catequese” com Marilia, Erwin.
  • Dezembro 3 e 4 – Avaliação do ano de 2011 com Catapan e Ricardo.

Se mais alguém estiver interessado em participar dessas atividades, favor entrar em contato com a coordenação. Vamos marcar presença.

-Ata efetuada por Ricardo.

CONFRATERNIZAÇÃO

PARTICIPANTES:

Marcos J Pereira Silva

Heloisa Silva Cavalho

Nelson Tyski
Naveen Manikkompel
Luiz Carlos Catapan
Jorge - Mirandinha
Luiz Walter de Souza
Maria Claudia Pereira
Rosangela Oyamada
Ricardo Oyamada

domingo, 22 de maio de 2011

A Igreja ainda tem salvação?

"A Igreja não pode entender-se como um aparelho de poder ou uma empresa religiosa, mas como povo de Deus e comunidade do Espírito nos diferentes lugares e no mundo", escreve Anselmo Borges, teólogo e fílósofo, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, comentando o novo livro de Hans Küng, Ist die Kirche noch zu retten? (A Igreja ainda tem salvação?), em artigo publicado no Diário de Notícias, 21-05-2011.

Anselmo Borges, é padre da Sociedade Missionária da Boa Nova, estudou Teologia na Universidade Gregoriana, Roma, Ciências Sociais na École dês Hautes Études en Sciences Sociales, Paris, e Filosofia na Universidade de Coimbra. Foi professor de Filosofia e Teologia na Universidade Católica Portuguesa e no Seminário Maior de Maputo, Moçambique. 

Eis o artigo.
Não falta quem se irrite com o simples nome de Hans Küng, acusando-o inclusivamente de ressentido: não teria ainda perdoado a João Paulo II nem a Bento XVI a condenação. Mas quem tenha boa fé sabe que Küng se confessa convictamente cristão - para ele, ser cristão é ter Jesus Cristo como determinante na vida e na morte - e não pode ignorar o seu contributo incalculável para o encontro da fé com o mundo moderno e pós-moderno e um ethos global. Leia-se, por exemplo, a sua recente obra Was ich glaube, várias vezes aqui citada e agora traduzida para espanhol - Lo que yo creo -, onde, de modo profundo e pessoal, responde às perguntas essenciais: em que posso acreditar?, em que posso confiar?, em que posso esperar?, como posso configurar a minha vida?
Foi por imperativo de consciência que escreveu o livro que acaba de ser publicado: Ist die Kirche noch zu retten? (A Igreja ainda tem salvação?). "Preferiria não ter escrito este livro. Não é agradável dirigir à Igreja, que foi e é a minha, uma publicação tão crítica", mas, "na presente situação, o silêncio seria irresponsável".
De que sofre a Igreja? A Igreja católica, a maior, a mais poderosa, a mais internacional Igreja, essa grande comunidade de fé, está "realmente doente", "sofre do sistema romano de poder", que se caracteriza pelo monopólio da verdade, pelo juridicismo e clericalismo, pelo medo do sexo e da mulher, pela violência espiritual. Que propõe Küng?
É preciso voltar a Jesus Cristo, ao que ele foi, é, quis e quer. De facto, em síntese, a Igreja é a comunidade dos que acreditam em Cristo: "A comunidade dos que se entregaram a Jesus Cristo e à sua causa e a testemunham com energia como esperança para o mundo. A Igreja torna-se crível, se disser a mensagem cristã não em primeiro lugar aos outros, mas a si mesma e, portanto, não pregar apenas, mas cumprir as exigências de Jesus. Toda a sua credibilidade depende da fidelidade a Jesus Cristo." Como procederia Jesus nas actuais situações, quando pensamos no modo como agiu? Seria contra o preservativo, os anticonceptivos, excluiria as mulheres, obrigaria ao celibato, proibiria a comunhão aos recasados? Que diria sobre as relações sexuais antes do casamento? Como procederia em relação ao ecumenismo e ao diálogo inter-religioso?
A Igreja não pode entender-se como um aparelho de poder ou uma empresa religiosa, mas como povo de Deus e comunidade do Espírito nos diferentes lugares e no mundo. O papado não tem que desaparecer, mas o Papa não pode ser visto como "um autocrata espiritual", antes como o bispo que tem o primado pastoral, vinculado colegialmente com os outros bispos.
A Igreja, ao mesmo tempo que tem de fortalecer as suas funções nucleares - oferecer aos homens e mulheres de hoje a mensagem cristã, de modo compreensível, sem arcaísmos nem dogmatismos escolásticos, e celebrar os sacramentos -, deve assumir as suas responsabilidades sociais, apresentando, sem partidarismos, à sociedade opções fundamentais, orientações para um futuro melhor.
Não se trata de acabar com a Cúria Romana, mas de reformá-la segundo o Evangelho. Essa reforma implica humildade evangélica (renúncia a títulos como: Monsignori, Excelências, Reverências, Eminências...), simplicidade evangélica, fraternidade evangélica, liberdade evangélica. E é necessário mais pessoal profissional, acabando com o favoritismo. De facto, esta Igreja é altamente hierarquizada e ao mesmo tempo caótica. Quem manda no Vaticano? "Conselheiros independentes haverá poucos."
Mais: precisa-se de transparência nas finanças da Igreja; deve-se acabar com a Inquisição, não bastando reformá-la, e eliminar todas as formas de repressão; não é suficiente melhorar o Direito eclesiástico, que precisa de uma reforma de base; deve-se permitir o casamento dos padres e dos bispos, abrir às mulheres todos os cargos da Igreja, incluir a participação do clero e dos leigos na eleição dos bispos; não se pode continuar a vedar a Eucaristia a católicos e protestantes; é preciso promover a compreensão ecuménica e o trabalho em conjunto.

Fonte

Terapia do Elogio

Pela recomendação do Walter, segue um belo pedaço de reflexão - Terapia do Elogio

Curso de Fotografia em Juquiá

PROJETO VALE DO RIBEIRA


Ata do encontro em Juquiá para o curso de fotografia realizado pelos missionários da Família Arnaldina em 14 de Maio de 2011, na Paróquia Santo Antonio.
Chegamos a Juquiá no Noviciado as 19h00 do dia 13 de Maio dia de Nossa Senhora de Fátima onde pernoitamos. No dia seguinte participamos das orações com o Pe. Manh Le, Pe,Joãozinho e os 03 noviços. Tomamos café e o Pe. Joãozinho nos acompanhou até a Paróquia.   O curso começou as 09h15 e foi presidido por Jorge Miranda acompanhados por Walter Sousa, Claudia Pereira e com a acolhida dos padres Fabio, Antônio e  Joãozinho iniciando o curso com uma oração e apresentação dos 15 participantes com idades entre 12 a 30 anos.
Jorge Miranda apresentou a primeira parte do curso com teorias, histórias da fotografia e tipos de máquinas fotográficas. As 10h50 tivemos o intervalo para o café e em seguida dando continuidade ao curso com teorias e técnicas da fotografia. Ao meio dia foi servido o almoço no salão paroquial para todos com a presença dos Padres Fabio e Antonio.
As 13h00 Jorge Miranda passou a apresentação da segunda etapa do curso: Composição da Luz e a Desconstrução do olhar e demonstração de retoque digital dando exemplos fotográficos para os participantes. Em seguida Cláudia fez o encerramento do curso expondo a importância da fotografia como informação na comunidade e com a proposta de desenvolver a formação de uma PASCOM (Pastoral da Comunicação) e desejos futuros de criação de um Boletim Paroquial e outros mecanismos de comunicação nas comunidades que serão debatidos no segundo encontro (a ser definido a data) já com o tema proposto pela equipe, relacionado com a prática fotográfica na comunidade.
O curso foi encerrado com sorteios de vídeos, CDs e fotografias para os alunos e a entrega de certificados para os participantes.  Sendo assim nada a mais a acrescentar esta ata foi lavrada por mim, Maria Cláudia Pereira.

  • Participantes:
  • 1.      Cassio Maciel Gomes
  • 2.      Lucas Alves Américo
  • 3.      Carolina Alves Américo
  • 4.      Aline Shimoi Rodrigues
  • 5.      Fernando Pereira Coutinho
  • 6.      Fabiola Conceição da Cruz Coutinho
  • 7.      Karina dos Santos Pinheiro
  • 8.      Karile Pereeira Lira
  • 9.      Aléxia Inaraí Henck
  • 10.  Geisy Gonçalves da Silva
  • 11.  Maria Claudia Silva Batista
  • 12.  Mirna Schmeing Corrêa
  • 13.  Nathália dos Santos Gomes
  • 14.  João Maria Ferreira
  • 15.  Gerson (Noviço)

    RELATÓRIO VISITA À JUQUIA

    Ricardo e amigo


    No dia 1º de Maio de 2011 (Dia do Trabalhador), aconteceu no Salão Paroquial da Paróquia Santo Antônio, na cidade de Juquá-SP, o encontro dos coordenadores das comunidades, promovido pelo Grupo Família Arnaldina da Congregação dos Missionários do Verbo Divino.
    O encontro foi iniciado com a palavra do Pe. Fábio, que deu as boas-vindas a todos os participantes, e logo em seguida conduziu a oração inicial fazendo memória o Dia do Trabalhador (lembrando dos profissionais que vivem nas comunidades rurais e nas cidades); comentou ainda a Beatificação do Papa João Paulo II. Em seguida proclamou o Evangelho de João 29, 19-31.
    Foi feita a leitura da Ata do Encontro anterior; logo a pós passou a lista de presença e o Pe. Fábio concedeu a palavra ao Ricardo Oyamada (Família Arnaldina), que iniciou a reflexão sobre a Animação Missionária.
    Ricardo fez um levantamento do que os presentes compreendem sobre a palavra “animar” e “missão”.
    Em seguida motivou o grupo com a “Dinâmica das Pedras”, para ressaltar a importância da partilha, comunhão, compromisso missionário, integração, entre outros.
    Depois da dinâmica, Ricardo dividiu o grupo em dupla para conversar sobre o tema Animação Missionária, a partir do texto “Jesus partiu o pão”, do escritor Ramlit Navarro.

    Modelo do Animador Missionario, Jesus Cristo
    PARTIR: Jesus partiu o pão, por Ramlit Navarro

    Partir é pôr-se a caminho, sair, ir alem. Quem parte se coloca a disposição para seguir ou criar caminhos; é deixar algo para atrás em prol daquilo que está além. Quem parte se torna diferente do que aquele que se acomoda. Partir é uma ousadia ou algo tão inerente num ser humano em evolução; às vezes, é uma loucura do ponto de vista de quem está na zona de conforto. Partir é nada mais que um desperdício para quem não muda e não cresce.

    Partir também é quebrar, dividir-se, romper, separar. Há coisas que se partem e se consertam, se tornam pedaços quebrados a serem recolhidos ou jogados. Coisas quebradas são coisas quebradas. Porém, pessoas quebradas é outra coisa. Qualquer quebra, divisão, rompimento ou separação traz imensa dor. No entanto, partir apresenta ruptura ou destruição mas também sinaliza renovação. Às vezes, partir é nada mais que uma etapa na evolução do ser humano ou um componente no ciclo da vida - - começo-meio-fim, e depois de partir, um recomeço e assim por diante.

    Enfim, partir é repartir. Partir é partilhar. A fim de partir e repartir o que a pessoa tem, é preciso partir para outro lado e correr o risco de ser partido. Assim que se vive a dinâmica da partilha.

    Jesus tomou decisão de colocar o Reino de Deus em sua vida acima de tudo. Ele é a presença de Deus a quem ele dá graças incessantemente por seu amor. Impulsionado pelo amor de Deus, ele partiu da sua aldeia de Nazaré, se pus a caminho rumo a Jerusalém e às cidades vizinhas e foi além das fronteiras impostas pela religião dominante. Jesus partia a fim de mostrar e demonstrar os valores do Reino mas suas palavras e ações acabaram desafiando e insultando os poderosos. Ele não tinha receio de anunciar verdades e denunciar mentiras porque ele era uma pessoa livre e vivificada pelos valores do Reino. Ele se tornou uma ameaça a um sistema disfuncional. Ele foi um homem quebrado pelas ameaças, rejeições e castigos. Quantas vezes ele chorou com coração rompido por seu amado povo sofrendo nas mãos das autoridades religiosas e políticas. Para eles, Jesus devia morrer mesmo porque ele se tornou um sinal de divisão no meio do povo. Ele foi além demais porque questionava e violava algumas leis e tradições religiosas intocáveis. Ele era visto como um subversivo ousado a ser lançado na cruz como e com os outros violadores atrevidos. Então, os detentores do poder partiram pra cima dele perseguindo-o e levando-o a sua condenação e morte. Ele foi brutalmente partido em nome do Reino de Deus e do povo que ele tanto amou.

    * Pela graça de Deus, recebemos tantos dons a fim de colaborar na construção do Reino de Deus. E o dom mais importante dado por Deus é o amor. Em outras palavras, a dádiva pela qual devemos agradecer a Deus infinitamente é a possibilidade de amar e ser amado. Jesus foi imensamente amado, por isso ele foi capaz de amar tanto. Ele amou a Deus com todo o seu ser e amou o povo de Deus com toda a sua vida. Ele era um sinal de amor no alvejado Reino de Deus instaurado na terra. Ele deixava tudo e fazia tudo por amor. O seu amor livre e irreverente incomodava àquelas pessoas cujo amor ou jeito de amar era medido, definido, regulado e controlado pelas leis e tradições religiosas. Eram leis e tradições para tantas coisas que acabaram ofuscando o que era o essencial no âmbito de amor, isto é, amar a Deus e amar ao próximo. Quem demonstrava amor fora dos parâmetros daquelas leis e tradições era considerado pecador. Por isso, Jesus sofreu e morreu – por amor.

    Seguindo os passos de Jesus, o partir do pão nos leva ao essencial do amor: amar a Deus e amar ao próximo. Parece um simples resumo dos mandamentos mas não é. Amar a Deus, todos dizem. Amar ao próximo é uma graça que rompe barreiras. Pelo Espírito, nós somos enviados a amar a Deus com todo o coração, espírito e força. E nós somos inspirados a amar ao próximo de forma mais verdadeira e libertadora. E quem é o próximo? É a pessoa bem próxima de nós. Mas as leis e tradições matam o amor porque não deixam o próximo estar bem próximo. Portanto, quem ama de forma concreta optando em ter uma pessoa amada bem próxima parte e se parte. Ou amamos a Deus ou amamos aqueles que se fazem Deus? Ou amamos o próximo ou amamos o distante?

    Animação Missionária, significa animar-se em primeiro lugar, romper-se do seu mundo fechado.
    Em comunidade cada qual deve animar uns aos outros, unir-se e daí vem a força necessária para tornar-se comunidade que busca união e consequentemente a sua Missão, dentro e fora dela.


    Para Reflexão:

    • Missão (por Dom Helder Câmara)
    Missão é partir, Caminhar, Deixar tudo, Sair de si,
    Romper com egoísmo que nos fecha em nosso eu.

    É deixar de dar voltas ao redor de nós mesmos
    Como se fossemos o centro do mundo e da vida.

    É não deixar se bloquear pelos problemas do pequeno mundo
    A que pertencemos, a humanidade é maior.

    Missão é sempre partir, porém, não devorar quilômetros.

    É sobretudo abrir-se às outras pessoas como irmãos
    Descobrindo-os e encontrando-os.
    E, se para encontrá-los e amá-los
    É necessário atravessar os mares
    E voar mais no mais alto do céu,
    Então, missão é partir até os confins do mundo.

    Dando continuidade ao encontro, Ricardo lançou duas perguntas fundamentais:
    • O que falta em nossas comunidades em relação ao tema?
    Resposta dos participantes:
    Falta de ousadia, disponibilidade, abertura, ânimo, decidir-se, comunicação, amor, doação, coragem, assumir, fazer a diferença, conhecimento, vontade, testemunho, vivência da palavra, incentivo, participação, compromisso, oração, idéias novas, desprendidos, dedicação, jovem (participação), formação, responsabilidade, lealdade, caminhar juntos, cuidar do planeta, paz, amizade.

    • O que fazer em nossas comunidades para melhorar as situações levantadas?
    Resposta dos participantes:
    Intercambio com outras comunidades, colocar em pratica as idéias, planejar, acolher, participar, promover encontros da juventude, procurar envolver as comunidades nos trabalhos paroquiais, vida comunitária, união, diálogo profético, se por a caminhar (não esperar pelos outros), encontros missionários, fazer círculos bíblicos, trabalhar em equipe, criatividade na liturgia, conscientizar as pessoas, responsabilidade, partilha dos bens.
    Para finalizar Ricardo passou a palavra para o Pe. Fábio, que apontou três momentos de caminhada na Paróquia:
    • a liturgia;
    • vida comunitária;
    • amar em Jesus Cristo.
    Logo em seguida a catequista Alexandra, do grupo Mini-jovem, partilhou a sua experiência.
    Finalizando, Pe. Fábio agradeceu a participação e presença de todos, e, rezando o Pai-Nosso encerrou o encontro.
    Esta foi lavrada e após ser lida será assinada por todos os presentes.
    Assinatura: ( 38 pessoas )


    - Próximo encontro 05/06 das 8:00 às 12:00 (Tema: Festa Santo Antonio)

    - Ata efetuada por Dildnei, Paulo e Gerson


    CONFRATERNIZAÇÃO E ALMOÇO

    (faltou foto, desculpe-me, Ricardo)

    sexta-feira, 20 de maio de 2011

    ASCENÇÃO: UMA IDA ALÉM


    por Ramlit Navarro

    A ascenção de Jesus é uma demonstração das possibilidades plenamente humanas e divinas.  O Filho de Deus é capaz de assumir a condição humana (encarnação) e elevá-la às alturas renovadas e vencedoras na presença de Deus (ascenção).  Graças ao Verbo Encarnado por ter mostrado fontes de esperança para quem caminha com os pés no chão nas estradas da vida!

    Jesus subiu aos céus.  Assim, acreditamos, à luz dos relatos bíblicos baseados nas narrativas da ressurreição.  Subiu quem estava no fundo, subiu aquele que desceu ao abismo do sofrimento e da morte.  Se elevou o servo sofredor do túmulo da escuridão e estagnação.  Jesus está vivo, mais vivo que antes!

    A ascenção de Jesus significa que ele foi além -- além do túmulo, além da morte, além dos limites impostos, além desta vida, além deste mundo, além dos conceitos e das definições.  É uma amostra de um salto para além.  Um ser humano abençoado por Deus é capaz de ir além.  Jesus é um de nós, além de nós.  E ele, em sua vida, morte e ressurreição nos ensina a ir além - além das tradições religiosas e culturais e alcançar um horizonte além.  Jesus aponta incansável e fielmente um horizonte além que é o Reino de Deus.  Além de nós mesmos, além das religiões, além das culturas e raças, além da economia e política, além de toda a criação, além de tudo que é passageiro existe algo absoluto e definitivo -- o Reino de Deus.  Qualquer igreja tem credibilidade somente quando ela é capaz de ir além de si mesma.  Uma comunidade se torna verdadeiramente cristã quando ela proclama, serve e testemunha ao Reino de Deus como Jesus fazia.  Ou seja, a igreja é igreja enquanto ela aponta o Reino de Deus.  A igreja se torna igreja só quando ela aprende e reconhece que é chamada para ir além de si.   Isto quer dizer que a missão das comunidades cristãs não é concentrar nos seus problemas internos e fortalecimento de suas próprias estruturas mas sim, olhar para fora no mundo que grita, desafia e pede socorro.  E desnecessário dizer, o Reino de Deus não é propriedade de nenhuma igreja, religião ou instituição.  O Reino de Deus é o Reino de Deus - um reino de justiça, paz e compaixão.

    Nesta fase da minha vida, encontro minha inspiração nas pessoas que  têm demonstrado força de superação no meio das adversidades e limitações.  São pessoas capazes de ir além e vencer.   Diria que são pessoas que testemunha uma ascenção já nesta vida.  Uma delas é o meu amigo Raymundo.  Veja abaixo fotos de mim e Raymundo (segurando a bandeira da Suiça):

    Ramlit e Raymundo




    Raymundo Caetano Pinto é pai da Mychelle cujo parto, em 1986, teve complicações e ela acabou sofrendo um acidente.  O cordão umbilical enrolou no seu pescoço o que a impediu de respirar por alguns instantes, o suficiente para causar uma lesão cerebral por falta de oxigenação.  Era um "acidente" causado pelos erros  médicos.   Para piorar, os médicos disseram que ela não sobreviveria por muito tempo e que se sobrevivesse as seqüelas seriam graves.  Era uma maneira de dizer que ela iria morrer em breve ou ela não teria futuro.  Imagine se você fosse o pai ou a mãe da Mychelle vendo sua filha naquele estado e ouvindo toda aquela história! 

    Mychelle conseguiu sair do hospital com vida, porém com seqüelas.  Não tinha sustentação da cabeça, "era toda molinha", não interagia com pessoas ou com brinquedos, não conseguia segurar os objetos, não andava e não falava, era totalmente dependente.  Mesmo assim, o Raymundo e sua esposa Luíza, não desistiram em procurar ajuda médica e estudar sobre o assunto.  A batalha foi árdua!  E bastante cara!  Até que em 1994, Raymundo foi dispensado do seu trabalho, e com medo de não conseguir manter os tratamentos devido ao alto custo, investiu em uma piscina terapêutica nos fundos de sua casa com o dinheiro recebido de sua rescisão.  Assim, Mychelle foi crescendo e obteve uma melhora inacreditável.  Os próprios médicos que disseram que ela não sobreviveria, ficavam espantados com a melhora.  Com isso, muitas famílias com filhos portadores de deficiência física e mental começaram a envia-los à casa do Raymundo para beneficiar da terapia no seu quintal.

    Hoje, Mychelle com 24 anos é alegria da família e de muitos amigos.  E o Raymundo?  Ele é o diretor, sua esposa Luíza é a presidente e sua filha Kelly (irmã mais velha da Mychelle) a coordenadora do Instituto de Recuperação & Natação Água Cristalina em Jardim Herculano, São Paulo.  O instituto atende gratuitamente a mais de mil pacientes  provenientes das famílias carentes de todos os cantos de São Paulo.  Atualmente, mais de 3 mil crianças e adultos estão na fila à espera de conseguir uma vaga na terapia.  O instituto é um espaço pequeno cheio de amor e compaixão.  É uma fonte de cura e recuperação para muitos e milagres para alguns.

    Com eles, sou testemunha de muitas histórias de recuperação. Vejo nestas histórias e pessoas abençoadas, fontes de alegria e esperança.  Vejo que a verdadeira alegria é fruto de uma profunda tristeza.  Já vi que a mais autêntica esperança somente pode nascer no meio de desespero.

    Afinal, a ascenção demonstra que do túmulo pode surgir a vida; a descida à mansão dos mortos pode transformar em subida aos céus;  as cicatrizes da derrota podem tornar-se marcas da vitória.  E assim por diante.  Assim é a ida para o além.

    Luíza, Raymundo e Mychelle

    Sessões de Terapia